Esse post será totalmente diferente do tema central do meu blog. Tô com vontade de escrever sobre amizades. Aninha, você vai gostar desse.
Pois é, ultimamente venho conversando bastante com Ana Raquel sobre a existência ou não de amor verdadeiro entre homem e mulher, como casal. Eu insistindo que sim, ela insistindo que não. Eu tentando mostrar que sim, ela descrente, por experiências da vida. Mas essa história toda despertou uma questão há tempos esquecida por mim: A existência de amizade verdadeira.
Antes de tudo, para mim o que é ser amigo verdadeiro? Compartilhar sentimentos, situações boas e ruins, dar força ao outro quando ele precisa, ser sincero e leal, ter confiança, amor, respeito e principalmente se sentir a vontade para ser quem você é, sem medo. Por que pra mim o conjunto disso parece impossível?
Na verdade eu sei porque parece impossível, sei porque eu tive uma única experiência na vida que englobou isso tudo. A melhor e, no fim, mais frustrante experiência da minha vida, a mais dolorosa. Uma amizade que ano que vem faria 9 anos, e simplesmente se dissolveu sem motivo aparente. Simplesmente caiu no esquecimento, não por mim, que por muito tempo corri atrás. Mas durante o tempo que essa amizade sobrevivei, eu posso dizer seguramente que em termos de amizade, eu me sentia completa. Nossa, foi algo muito bom. eu e ela discutíamos coisas da vida, deitavamos no chão e olhávamos o céu enquanto planejávamos como seriam nossas vidas no futuro, o que faríamos profissionalmente, ficávamos imaginando situações loucas, compartilhando segredos. Foi um período bom da minha vida, mas tudo que é bom (ou quase tudo) tem um prazo de validade. E quanto maior a altura, maior a queda. E minha queda foi grande, mas tão grande, que até hoje quando lembro disso tudo, lágrimas vem aos meus olhos e eu sinto um aperto no peito. Dói muito porque eu sei que depois disso eu não consigo mais me doar totalmente pra uma amizade. Eu sempre fico com um pé atrás, eu não consigo ser eu mesma. Isso me incomoda, porque eu gosto de ser eu mesma, gosto de não ter que limitar sentimentos, atitudes, expectativas. Mas algo mudou dentro de mim, e agora parece que esses limites que eu me dou fazem parte de mim. Aqui em Pittsburgh conheci a Ana Raquel, ela é muito parecida comigo nesse ponto e em vários outros. Vou falar um pouco dela: Já morou em Salvador, é de São Luiz do Maranhão e vive aqui há quase um ano, tem 26 anos e é uma mulher forte e muito cativante. Ela compartilha essa dor de amizade, só que por mais que ela "quebre a cara", ela continua agindo como agia, de forma que não muda. Já eu mudei, e sei que mudei.
Eu vejo as pessoas a minha volta, vejo que grande parte delas chamam de amigos aqueles que frequentam a mesma balada, vão pro mesmo barzinho, moram no mesmo bairro, dão carona pra casa, trocam presentes e convidam pra festas de aniversário, saem para as compras... Onde fica a essência do ser humano? Por que tudo gira ao redor de coisas materiais, superficiais? Onde ficam os sentimentos verdadeiros? Onde fica o carinho pelo outro, a preocupação com os problemas do outro? Zygmunt Bauman, um intelectual que eu gosto muito, caracteriza a sociedade pós-moderna como uma sociedade sem formas, sem estrutura, sem valores. Uma sociedade na qual tudo é relativo, não existem referências, não existem conceitos e princípios. O amor é um amor líquido (porque não tem forma definida). As relações são líquidas e facilmente dissolvidas. E eu completo: A Amizade é uma amizade líquida. Um dia eu sou a melhor amiga de fulana, porque tenho um carro pra dar carona, porque frequentamos o mesmo barzinho pra filhos de classe média alta, porque vamos pro mesmo shopping. No outro dia, outra pessoa é melhor amiga de fulana, e não mais eu. Tudo gira em torno de coisas materiais... Talvez seja por isso que eu acho tão difícil encontrar uma amizade verdadeira, já que não tenho muito de material pra oferecer. Minha oferta é da alma, coisas que dinheiro nenhum poderá comprar.
Enfim, é isso.
"O meu melhor amigo é o meu amor..."
SAUDADE!
4 days ago




So, the fifth thing is: My flight back to Brazil is already booked. I will leave the United States on February, 1st.